No programa nada menos que 392 quilómetros ao longo de 12 horas, com promessas de muitas paisagens serranas e estradinhas ‘trabalhosas’, de exigência recompensada com vistas únicas. Etapa longa e variada, a 2ª do 20º Portugal de Lés-a-Lés, que obrigou os primeiros dos mais de 2100 participantes a arrancar ainda noite escura do centro de Portalegre, pelas 5.30 horas. Com início por deliciosas estradinhas, sem a amplitude cénica das enormes planícies alentejanas é certo, mas entre centenários carvalhais e muros de pedra, como que a preparar a caravana para o que que aí vinha. Trajeto simples, em jeito de leve introdução, que a Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal gizou até Amieira do Tejo, para a primeira paragem do dia. Onde o bolo de canela e o café caseiro, simpatia da Junta de Freguesia, fizeram as delícias dos participantes em pleno castelo, de portas abertas pela Câmara Municipal de Nisa. Naquele que foi também o primeiro controlo secreto do dia, tempo para muitas fotografias às formosas ‘princesas’ do Moto Clube do Porto, de imediato colocadas no Instagram, Facebook e outras redes sociais, aproveitando o wi-fi disponibilizado no Oásis da Brisa. E, sem mais portagens, seguiu a caravana debaixo de tempo agradavelmente fresco, atravessando rios e ribeiros através de obras monumentais, fazendo mesmo um pequeno desvio por pisos de terra, apenas para utilizar a ponte romana de Albarrol, sobre a ribeira de Figueiró, que de romana tem a lenda da fundação, datando a sua construção da época medieval. Bem mais tarde foram feitas as barragens do Fratel, sobre o Tejo, e de Pracana, que represa o rio Ocreza.

A esperança do verde em paisagens de negro vestidas

Passagens agradáveis mesmo antes de mudança de cenário, com entrada em Mação, um dos concelhos mais massacrados pelos incêndios do ano passado e, por isso mesmo, um dos apoiados pela FMP no âmbito da campanha de sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés. Apoio – o possível – para ajudar a recuperar o património natural consumido pelas chamas e que, muitos meses depois, ainda ‘mexe’ com quem por lá passa, como aconteceu com a enorme caravana que, com as da organização e convidados, conta mais de 2000 motos, mas que passou de forma quase silenciosa, como que respeitando a dor da natureza onde o verde tenta romper o negrume que domina a paisagem. Valeram as curvas deliciosas que sempre ajudam a esquecer o desalento face ao triste cenário, como as da descida – conjugada com espetacular vista sobre as margens da albufeira do Cabril. Local onde o rio Zêzere ‘oferece’ extremamente agradável paisagem e onde a NEXX acolheu os mototuristas, mostrando a nova coleção de capacetes. Mais umas curvas até à Pampilhosa da Serra e à sua aprazível praia fluvial, onde a autarquia com apoio do Góis Moto Clube e do endurista Diogo Ventura, organizou (mais um…) agradável Oásis. Onde, imagine-se, foi servido apetitoso reforço do pequeno almoço – ou seria almoço?… – incluindo deliciosos ovos mexidos com bacon (!) feitos na hora além de vasta seleção de doces e compotas. De fome ninguém se pode queixar! E depois, já com estômago ‘compostinho’, nada como uma barrigada de curvas nas N112 e N344 em direção ao Piódão, aproveitando a viagem para umas fotos na barragem de St.ª Luzia cujo paredão de 76 metros represa as águas do Unhais, bem como uma volta pela bonita aldeia do Fajão.

Mais de 2000 motos ‘pararam’ aldeia do Piódão

Mas seria a mais famosa das Aldeias de Xisto a merecer paragem mais prolongada, com a primeira visita ao Piódão nos 20 anos da maior maratona mototurística da Europa. Momento único que justificou saudável caminhada degraus acima, até ao cimo da aldeia, onde os elementos do renovado Moto Clube da Covilhã – Lobos da Neves, fizeram as honras da casa. Imagens únicas para recordar por muito tempo e que foi motivo de conversas no Oásis da Bomcar, poucos quilómetros adiante – e onde até havia massagens a cargo dos alunos do Instituto de Medicina Tradicional – como na dupla paragem em Mangualde. Com direito a lanche na Câmara Municipal e visita àquela que foi a primeira praia artificial da Europa, mesmo ao lado da Sr.ª do Castelo. Outra paragem digna de nota aconteceu no Parque Botânico Arbutus do Demo, recuperação do espaço que foi em tempos viveiro da Junta Autónoma de Estradas, onde eram criadas as árvores que depois dariam sombra nas bermas das estradas da Região Centro. Como as que foram plantadas nos acessos ao rio Paiva ou junto à bem-conhecida N2, caminho que levou caravana até Castro d’Aire. Onde o bolo podre e chá deram mais um aconchego ao estômago e ajudaram a ‘fazer tempo’ enquanto passavam alguns aguaceiros. Que não desmotivaram os participantes de todo o País, mas também de todas as províncias de Espanha, da França, Suíça, Itália, Alemanha, Luxemburgo, Rússia, Croácia, Canadá e Estados Unidos. Que, verdadeira promessa do dia, não podiam falhar a subida ao Santuário da Senhora dos Remédios! Não pelos 686 degraus da famosa escadaria, mas de moto. Que o corpo não estava pelos ajustes e, para os mais afoitos, havia ainda uma visita ao castelo e passagem pela Sé a caminho do palanque, ponto final de dia longo, desgastante mas extremamente enriquecedor.

 

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Caravana em festa de Portalegre a Lamego
FMP