Em trinta anos de história da Baja de Portalegre apenas três pilotos conseguiram vencer a mesma por três vezes consecutivas, com a tripla mais recente a ser alcançada por António Maio, entre os anos de 2010 e 2012. Nesta reduzida lista estão igualmente os nomes de Mário Patrão, com três sucessos consecutivos entre 2004 e 2006, e também António Lopes, que subiu ao degrau mais alto do pódio de 1990 a 1992.

Nestas três décadas de história da mais importante prova do TT português foram 15 os pilotos que colocaram o seu nome na lista de vencedores e entre eles apenas dois estrangeiros, Richard Sainct e Alain Perez, que venceram nas pistas alentejanas em 1995 e 1996. Em 2017 Luís Oliveira – que venceu as duas últimas edições – irá procurar tornar-se no quarto piloto a conseguir três vitórias consecutivas. E depois de recentemente ter conquistado o título brasileiro de Enduro, o piloto de Belas procurará igualmente oferecer de novo a primeira posição aos japoneses da Honda, que não vence em Portalegre desde 2001, quando Paulo Gonçalves colocou o seu nome na lista de vencedores da prova organizada pelo ACP.

Mas para vencer Luís Oliveira terá que bater uma concorrência de luxo liderada pelos dois principais animadores do campeonato da especialidade em 2017, António Maio e Sebastian Buhler. Fruto do regulamento onde os pilotos podem deitar o pior resultado fora ambos estão empatados no arranque para a decisiva prova e terão que forçosamente terminar um na frente do outro, seja para António Maio renovar o ceptro, ou para Sebastian Buhler se juntar à lista dos melhores dos melhores do TT nacional. Em terceiro no campeonato, e fora da luta pelo título, Mário Patrão – o recordista de vitórias na prova com seis sucessos – poderá ser o principal fator de desempate entre ambos os pretendentes ao ceptro, tudo isto ao mesmo tempo que tem que ser sempre considerado como possível vencedor.

Mas ao lote dos candidatos temos que juntar ainda os nomes dos experientes e consagrados David Megre, Salvador Vargas – o campeão TT3 no passado ano que regressa à competição apenas para participar nesta prova – ou Martim Ventura, que aos comandos da sua 125cc promete causar estragos ao mesmo tempo que discute o título TT1 com Fernando Ferreira, outro dos pilotos que quer estar na frente desde os primeiros momentos da prova. Na classe maior, TT3, o ceptro está nas mãos do algarvio Luís Teixeira, mas o piloto de Alcoutim quer fechar o ano da melhor forma e também entrar na luta pelas primeiras posições. Tudo isto sem esquecer nomes com palmarés e capacidade para complicar ou não a vida aos que discutem os campeonatos e que estão em Portalegre como ‘outsiders’ de luxo. A preparar a prova desde que terminou o campeonato nacional de motocross, Luís Correia será certamente um dos pilotos em destaque, o mesmo se passando com o campeão nacional de enduro em 2017, Diogo Ventura, que faz a sua estreia na prova e poderá ter nesse pormenor o seu principal ‘handicap’.

Com quase 430 quilómetros discutidos ao cronómetro esta será mais uma vez a ronda decisiva do campeonato nacional no que diz respeito ás duas rodas em termos globais e também nas classificações por classes. Com três setores seletivos para enfrentar entre sexta e sábado os cerca de 160 participantes em moto terão igualmente a companhia no parque-fechado dos pilotos da Mini-Baja, prova que regressa novamente à Baja de Portalegre neste ano de 2017.

Campeão fora nos Quads

Devido a uma lesão recentemente sofrida quando treinava para a prova, o campeão nacional 2017 não vai estar em Portalegre. Arnaldo Martins é a grade baixa naquela que é a mais concorrida lista de inscritos nos Moto4 deste ano com meia centena de participantes. Os Moto4 contam com classificação própria na Baja de Portalegre desde o ano 2000 e na sua história Roberto Borrego foi o piloto que mais vitórias conseguiu com os cinco sucessos assinados entre 2010 e 2012 e mais recentemente nos dois últimos anos. O piloto de Ponte de Sôr está de regresso à prova e quer vencer perante adversários de respeito, como António Moreira ou André Carita, este um dos pilotos que já venceu a prova.

Estando o título entregue a Arnaldo Martins a luta pela vitória será mesmo o principal ponto de interesse entre os Moto4.

Tudo por decidir nos SSV

Pela décima vez na história da Baja de Portalegre os SSV vão ser um dos grandes motivos de atração e atenção por parte do muito público que se espera ao longo de todo o fim-de-semana. Numa lista de inscritos com nove dezenas de participantes não faltam nomes e candidaturas aos melhores lugares, alguns deles a discutirem o título igualmente. Num campeonato onde já pontuaram 63 pilotos, Bruno Martins é quem lidera a classificação sendo também o único que terminou todas as corridas até ao momento. Já vencedor nos Buggy em 2013 e 2014 aos comandos do Rage, poderá conseguir o seu primeiro título nacional se conseguir manter os sete pontos de vantagem que trás sobre João Monteiro, o segundo classificado. Matematicamente mais dois pilotos podem ainda sonhar com o ceptro, Ricardo Carvalho e João Dias, qualquer um deles sem vitórias em 2017 mas com João Dias já com um título no seu palmarés (2016) e uma vitória em 2015 na Baja de Portalegre.

Numa época onde cinco pilotos venceram nas seis provas realizadas – João Lopes é o único com duas vitórias no campeonato – não faltam candidatos a vencer na prova mais importante do ano e além dos candidatos ao ceptro da categoria as presenças dos vencedores de provas ao longo deste ano será condimentada mais uma vez com a presença de Stéphane Peterhansel, o terceiro em 2016 e que regressa a liderar uma armada estrangeira onde estão igualmente os nomes de Camelia Liparoti – piloto com vários Dakar em Moto4 no seu palmarés e títulos na categoria igualmente, ou Ghislain de Mevius, o filho de Gregoire de Mevius, ex-piloto de Rally e também TT que estará aos comandos de uma Yamaha nesta Baja de Portalegre.

Numa vasta lista de candidatos aos lugares de destaque a prova promete por isso ser bastante discutida e recheada de momentos de elevada adrenalina e ação, naquela que é sem dúvida a categoria mais popular da atualidade e onde podemos igualmente encontrar os nomes de Francisco Guedes e Filipe Barreiros, pilotos que habitualmente competem nos campeonatos de GT’s com os Ferrari, os irmãos Teo e Roberto Viñaras, que estão de regresso a Portalegre depois de um ano sem participarem no campeonato. Mas estes são apenas alguns dos muitos que na atualidade enchem as listas de inscritos de uma categoria que está em Portalegre desde 2008 quando António Val se tornou no primeiro vencedor UTV na Baja, sendo que os Buggy surgiram em 2010 e foram igualmente ganhos na sua estreia pelo mesmo António Val e o Dazon. Na história da classe na prova apenas Jorge Monteiro repetiu vitória nos UTV (2009 e 2011) e Bruno Martins foi o único a vencer por duas vezes nos Buggy em 2013 e 2014.

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Baja de Portalegre: Decisões no Alentejo
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